Fim das coligações pode mudar configuração partidária em Castelo do Piauí

O fim das coligações proporcionais é uma forma de diminuir a fragmentação partidária no Brasil. Um dos motivos por que a fragmentação partidária é prejudicial é que ela dificulta a formação de maiorias no Legislativo. Isso força o governo a negociar com mais grupos partidários, aumentando o custo de formar coalizões. Em troca de apoio, o Executivo precisa oferecer cargos de alto escalão em ministérios, empresas públicas e outros órgãos importantes (indicações políticas, que podem prejudicar o desempenho da administração pública). E isso também abre espaço para mais corrupção. Esse fenômeno é também chamado de fisiologismo.

Na eleição de 2016 em Castelo do Piauí, os onze vereadores eleitos estavam distribuídos em sete partidos diferentes: O PT, PSB, PSD e PSDB elegeram dois representantes cada, enquanto PR, PRB e PP elegeram um cada. A composição sofreu alteração com a convocação de vereadores para secretarias, mas o resultado eleitoral mostra essa fragmentação. Os partidos que elegeram um representante somente, só conseguiram elegê-los graças as coligações, o que não será mais permitido na eleição de 2020.

O fim das coligações forçará a diminuição do número de partidos ativos, por uma simples questão de sobrevivência eleitoral, é provável que candidatos busquem se agrupar em agremiações, mesmo com pensamentos diferentes. 

Realizei uma projeção baseada nos apoios para deputado estadual nessa eleição que aconteceu no dia 07/10 e na conjuntura municipal.

O Progressistas tem tudo pra se tornar um partido muito forte no município se conseguir agregar as diversas lideranças que votaram em deputados da agremiação partidária. Marcelo Mineiro, embora tenha votado em Gustavo Neiva, tem ligação com o senador Ciro Nogueira e a deputada Iracema Portela e deve permanecer no partido. Raimundinho Mineiro, Lúcia Helena e Izanyo Pinheiro são ligados ao deputado Wilson Brandão, que trocou o PSB pelo Progressistas e pode fazer com que essas lideranças migrem para esse partido no município. Anderson Lima apoiou Júlio Arcoverde, deputado mais votado do partido em todo estado, uma mudança de partido por parte do secretário Anderson é bem possível, pois sozinho no PHS teria dificuldades para se eleger. Anísio Pato não tem mais clima para permanecer no grupo liderado pelo ex-prefeito Zé Maia e Wilmar Cardoso; como Pato apoiou Firmino Paulo, do Progressistas, esse também pode ser o seu destino. Ana Félix é ligada a Lucy Soares, deputada estadual eleita do Progressista e não seria uma possibilidade descartada, a sua ida para o mesmo partido.

O PT tem tudo para crescer e atrair novas lideranças, afinal de contas é o partido do atual gestor. Uma dessas lideranças pode ser o vereador Josimar, que apoiou Ziza Carvalho e tem boa relação com o PT local. O PT também é o partido com maior potencial para atrair novas lideranças, pelo fato de ser o partido do prefeito e do governador do estado.

Pelo lado da oposição é possível que Rossi Melo, Neirane, Douglas Soares migrem para o PTB comandado por Wilmar Cardoso ou o PSD do ex-prefeito Zé Maia. Essas lideranças permanecendo nos seus partidos sem conseguirem atrair outras lideranças, teriam dificuldade para atingir o coeficiente eleitoral.

O destino de Daniel Machado, Jadeilson, João Pedro Cardoso e de outras lideranças que comandam sozinhos partidos políticos, como é o caso do suplente de vereador Netão, filiado ao PV, seria naturalmente integrar um dos partidos remanescentes. Na situação, é bem possível que consigam se manter PT e PP, considerando que mesmo como boa votação em Castelo, o PSB a nível estadual saiu muito pequeno com a derrota de Wilson Martins e tendo feito somente um deputado estadual. Pela oposição, a tendência é que PSD e PTB consigam agregar as lideranças de outros partidos.

No próximo ano as movimentações dentro dos partidos será intensa, mas a configuração final deve ficar mesmo para o período do prazo mínimo de filiação partidária para concorrer, que é de seis meses antes da eleição, ou seja, abril de 2020. Até lá muita articulação deve acontecer e em política quase sempre previsões falham.

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1 Comentário

  1. Netão disse:

    So mas uma observação sobre o assunto caro professor , a sobra que antes era disputada apenas entre as coligações que atingiram o coeficiente eleitoral sera em 2020 disputada entre todos , podendo assim partido que não fizer o coeficiente disputar se tiver maior sobra uma vaga no legislativo municipal .